Segurança de Barragens em Ouro Preto só poderá ser garantida daqui há três anos

Em visita técnica, vereadores questionaram a falta de plano de descomissionamento antes do desastre em Brumadinho

Mais uma área de mineração da empresa Vale S/A recebeu a visita da Comissão Parlamentar de Inquérito das Barragens da Câmara de BH. Na manhã desta terça-feira (28/5), os vereadores foram verificar as condições de segurança das Barragens Forquilhas 1, 2, 3 e 4, localizadas na Mina de Fábrica, no município de Ouro Preto (MG), às margens da BR 040, e obter informações sobre o processo de descomissionamento das que estão sendo consideradas com alto risco de rompimento (alerta nível 3). Logo no início da visita técnica, o presidente da CPI, vereador Edmar Branco (Avante), ressaltou o foco dos trabalhos da comissão: a garantia da segurança hídrica de Belo Horizonte e da Região Metropolitana. “Sabemos que, se romper Forquilhas, (o rejeito) vai chegar ao Rio das Velhas, e atingir dois bairros de BH: Maria Tereza, na Região Norte, e Beija Flor, Região Nordeste. Estamos muito preocupados com isso”, alertou o parlamentar.

De acordo com a geotécnica de barragem de rejeitos da Vale, Adriana Gomes Ribeiro, no Complexo Paraopeba há um total de 17 barragens, sendo 11 de sedimentos para contenção de pilhas de estéril e seis de rejeitos. Dessas seis, todas estão com suas atividades paralisadas e quatro, Forquilhas 1, 2, 3 e Grupo, estão em processo de descaracterização. Segundo Ribeiro, para a realização desse descomissionamento, está sendo desenvolvido um projeto pensando-se no pior cenário, isto é, no rompimento de Forquilha 1 (alerta nível 3) e de Forquilha 2 (alerta nível 2), que se encontram uma ao lado da outra, e, o consequente rompimento de Forquilha 4, já que ela está localizada a jusante e bem próxima das barragens Forquilhas 1 e 2.

Questionados pela comissão sobre a abrangência desse eventual rompimento, o supervisor de Controle Operacional da Mina Fábrica, Diogo Prata, explica que a mancha de inundação chegaria a Belo Horizonte em 11 horas, pegando o Rio das Velhas. “Ela seguiria pelo Córrego Mata Porcos até o Rio Itabirito e chegaria à Bacia do Rio das Velhas, atingindo os municípios de Itabirito, Rio Acima, Nova Lima, Raposos, Sabará, Belo Horizonte e Santa Luzia, nessa sequência”. Essas três barragens (Forquilhas 1, 2 e 4), juntas, somam um volume de aproximadamente 38,2 milhões de m³ de rejeitos. Já no caso de rompimento de Forquilhas 3 (alerta nível 3), que possui um volume atual de cerca de 19,5 milhões de m³ de rejeitos, a mancha atingiria os municípios de Itabirito, Rio Acima, Nova Lima, Raposos e Sabará.   

Descaracterização

De acordo com o gerente de gestão e integração do projeto de descaracterização das barragens, Eduardo Drumond, o desafio da empresa é aumentar o nível de segurança das barragens para, assim, dar condições de se fazer um reforço nas estruturas e a retirada dos rejeitos. Para isso, ele explica que, primeiro, é preciso diminuir a presença de água no terreno, através de desvio de drenagem com canais periféricos contornando a barragem, ou com poços de rebaixamento, e bombeamento da água. Em seguida, deverá ser realizado novo aterro da estrutura, reforçando o já existente. Ainda está em estudo o material utilizado para isso, mas há a possibilidade de uso do próprio minério que não foi beneficiado. Só a partir desse reforço, é que poderá ser feita a descaracterização e remoção dos rejeitos. Também está sendo estudado o melhor local para deposição desse material. Por fim, a área será revegetada. Esse plano de ação já foi protocolizado junto aos órgãos de controle: Agência Nacional de Mineração (ANM), Secretaria Estadual de Meio Ambiente e Desenvolvimento Sustentável (Semad) e Ministério Público.

Com relação ao controle do nível de água das barragens, o representante da Fundação Estadual do Meio Ambiente (Feam), Alder Souza, pediu esclarecimentos sobre como é feita a medição pela empresa da vazão dentro das estruturas. Atualmente, de acordo com técnicos da Vale, o monitoramento é realizado por drones e auxiliado por piezômetros automatizados (equipamento para medir pressões estáticas ou a compressibilidade dos líquidos), já que, nas áreas que tiveram seu risco aumentado, a presença de funcionários foi impedida pelo Ministério do Trabalho e não é utilizado pela empresa tecnologia mecanizada para medição da quantidade de vazão de litros de água por segundo.

Contenção de rejeitos

Para controlar os prejuízos provocados por eventuais rompimentos, Drumond ainda destacou que, paralelamente à descaracterização, há um projeto, e já foram feitas sondagens, de construção de uma estrutura de contenção, a 11 quilômetros das Forquilhas, capaz de segurar toda a mancha de rejeitos liberada, impedindo que ela chegue à Estação de Tratamento da Copasa em Bela Fama e garantindo a segurança hídrica de BH e dos demais municípios. No entanto, essa contenção, que servirá para as barragens Forquilhas 1, 2, 3, 4 e Grupo, tem previsão de ficar pronta daqui a três anos, e só depois de finalizada a obra é que poderá ser concluído o processo de decomissionamento.

Diante dessas informações, a vereadora Bella Gonçalves (Psol) questionou a Vale sobre quando se deu o início do plano de descomissionamento, uma vez que os projetos ainda estão em fase de estruturação, e sobre quando a empresa se deu conta do risco de rompimento de tantas barragens. Segundo Drumond, a decisão de descomissionamento das barragens a montante de alto risco foi tomada logo após o rompimento de Brumadinho, pois até então as estruturas tinham suas estabilidades garantidas por auditorias. “Depois desse evento, o grau de aceitação do risco diminuiu e a auditoria negou declarar a segurança das barragens”, afirmou o representante da mineradora.

Os vereadores também pediram informações sobre processos de licenciamento para ampliação e construção de novas barragens, mas, segundo os representantes da Vale, a resposta teria que ser dada posteriormente já que não havia ninguém da área responsável acompanhando a visita. O licenciamento mais recente obtido pela empresa foi da barragem Forquilhas 5, que ainda não foi colocada em operação.  

Superintendência de Comunicação Institucional

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